Gestão de estoque para o SPED Fiscal

Gestão de estoque para o SPED Fiscal

O avanço da tecnologia vem automatizando tarefas que antes eram executadas manualmente. A indústria 4.0 é factual e a “internet das coisas”, há algum tempo, deixou de ser um futuro distante para se tornar uma realidade cada dia mais presente em nosso cotidiano. Para as empresas, isso representa maior eficiência e rapidez nos processos. A integração entre essas tecnologias permite a comunicação das máquinas da produção com o software de gestão, inclusive pela internet, integrando todas as máquinas de todas as unidades. Dessa forma, a gestão torna-se muito mais rápida e enxuta, com informações em tempo real e administração à distância, inclusive, de forma autônoma em alguns processos.

O que é bom para os empresários, também é bom para o fisco. Nos últimos anos, o fisco, em geral, tem investido em softwares e inteligência artificial para análises e cruzamentos autônomos de dados e informações. O objetivo é reduzir a mão-de-obra nos trabalhos de fiscalização e aumentar a sua capacidade, ganhando produtividade e eficiência. Com o uso da
tecnologia, será possível alcançar um número maior de contribuintes e analisar informações que antes eram inviáveis de serem tratadas manualmente.

 

Diante disso, é preciso tomar cuidado com os dados que são enviados ao fisco. Com o SPED, o número de informações exigidas aumentou sem a devida percepção de quem as envia. O que antes era digitado, agora é gerado diretamente pelo sistema implantado. E de onde são extraídas essas informações? Dos programas utilizados pela empresa e pelo setor contábil. O que mais preocupa é a parte dos dados inseridos no sistema da empresa, principalmente, às relacionadas ao estoque. A maioria das empresas não possui uma boa gestão de estoque, com isso, os saldos apurados não são condizentes com a realidade física.

 

Por diversos motivos, a contagem física da maioria dos itens não representa o saldo constante no sistema, o que dificulta a análise do estoque e gera informações fiscais inconsistentes para o fisco. Por isso, é fator determinante possuir uma gestão de estoque eficiente, com contagens periódicas e análise das divergências. O fisco tem conhecimento de que a maioria das empresas, sejam elas do ramo do comércio ou da indústria, possui inconsistências de estoque.

A falta de uma gestão de estoque eficaz não gera problemas somente com o fisco. Essa situação pode conduzir a empresa para uma grave dificuldade financeira. Estoque é dinheiro e
a sua paralisação gera ciclo financeiro longo, perdas com vencimentos, quebra, furtos, além de arcar com os custos de armazenagem.

Os prejuízos decorrentes da ausência de gerência do estoque são frequentes em alguns setores, e a maioria das pequenas empresas ainda não perceberam essa questão. Muitas delas acreditam que o controle de estoque deve ser realizado apenas para atender ao fisco, o que não é verdade, já que se trata de informações gerencias preciosas.

O fisco vê no estoque um termômetro para apurar indícios de irregularidades fiscais. Para isso, veio o Bloco K no SPED Fiscal. A exigência de envio do estoque mensal junto com o SPED Fiscal foi ampliada a partir de janeiro deste ano para a maioria das indústrias e atacadistas. O envio do registro K200 do famoso Bloco K do SPED Fiscal é, na verdade, o estoque mensal declarado em arquivo digital. E nem precisa mencionar o que o fisco fará com essas informações.

O cruzamento das informações enviadas para o ambiente SPED será feito eletronicamente, e os contribuintes notificados se houverem divergências. Podendo gerar também ordens de fiscalização automáticas. Os cruzamentos irão além das informações enviadas pela empresa, sendo confrontados dados de fornecedores, clientes, transportadores, terceirizados, entre outros, disponíveis para todos os entes federados.

Estamos em uma nova era fiscal e a maioria das empresas não está preparada para ser fiscalizada dessa forma. Assim, é questão de sobrevivência investir em gestão de estoque, tanto pela competitividade no mercado quanto pelo risco de ser autuado por divergências encaminhadas ao SPED.

 

A tendência é que os meios tecnológicos avancem cada vez mais rápidos.
Considerando que o fisco tem cinco anos para analisar os dados, a possibilidade de as informações enviadas hoje serem examinadas por tecnologias que ainda serão criadas, é um fato. A gestão de estoque é fundamental para abastecer o Bloco K do SPED Fiscal, e quem não se preocupar com a qualidade da informação ficará exposto aos cruzamentos realizados pelo fisco.

Matéria publicada na Revista Rochas – www.revistarochas.com.br

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